quinta-feira, 19 de abril de 2018

Mais um poema para refletirmos sobre o estar internado e a espera da cura

Viagem ao centro da cura

Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Checa o monitor
O senhor tem alergia a quê?
Quem é o cirurgião?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Confere o manguito
A sala já está pronta?
Quanto o senhor pesa?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Já tem operacional pra levar?
O senhor vai fazer qual procedimento?
De quanto tempo o jejum?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Vamos fazer o check list
O anestesista já chegou?
Quanto de dor já suportou?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Precisa de sangue, doutor?
O senhor tem alergia a quê?
Aqui só se pensar em viver
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Confere o prontuário
Qual é mesmo o procedimento?
Senhor, segurança pra todos no momento
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Posiciona o paciente
Só vai tirar um soninho pra relaxar
Pegou o acesso, monitora a PA
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Tá vendo? Já acabou
Volta pro CRPA
Espera teu corpo voltar.
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Liga pra o andar
E só leva quando a enfermeira chegar
Prontuário, receita e atestado pra levar
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Tira o eletrodos
O senhor já vai voltar
Não esqueça de beber água e urinar
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Pode levar, operacional
O senhor descanse e bom jantar
Em casa é lugar de melhorar.
Décio Plácido 

Atualizações AHA 2017 SBV/RCP


terça-feira, 3 de abril de 2018

Simpósio Sul-Brasileiro de Enfermagem



A data limite para submissão à Comissão Científica do Simpósio Sul-Brasileiro de Enfermagem é dia 15 de agosto de 2018 (a data não será prorrogada).

Brasileira lança aplicativo para alfabetização de crianças com autismo

Familiares e educadores que lidam com autistas recebem uma boa notícia neste 2 de abril, data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Eles agora podem contar com um pequeno ajudante na estimulação da linguagem e alfabetização das crianças portadoras do transtorno do espectro autista (TEA), o Brainy Mouse (Rato Inteligente ou Rato Atrevido)
Trata-se de um aplicativo para celulares e tablets(disponível para android e iOS), em formato de jogo, que de forma lúdica auxilia os pequenos neste processo de aprendizagem.
A brasileira Ana Sarrizo, presidente da Brainy Mouse Foundation, criou o aplicativo após 4 anos de pesquisa. Os resultados em grupos testes com crianças de Belo Horizonte e São Paulo têm sido muito satisfatórios. No mês passado, foi lançada uma versão em inglês e, agora, disponibilizam a versão em português.
O objetivo do jogo é trabalhar o desenvolvimento da linguagem porque este é justamente um dos maiores desafios para a educação dos autistas, no mundo inteiro. O jeito como pensam, assimilam e compreendem o mundo a sua volta é peculiar de tal forma que muitas vezes nem mesmo os familiares ou os educadores estão preparados para lidar.
“Imagine as dificuldades que já enfrenta um adulto autista, em um mundo que não está preparado para lidar com suas diferenças. Agora imagine um adulto autista e que ainda por cima não sabe ler e escrever”, explica a criadora do aplicativo Ana Sarrizo.
Estima-se que 3 milhões de brasileiros são autistas. Este dado é um reflexo do estudo divulgado pelo Center of Control and Prevetion, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, que aponta a incidência de 1 a cada 68 crianças. Além dos desafios da doença, o maior entrave ainda é o preconceito. Vem dar uma olhada na interface do jogo e se encante:


Como funciona
O game trabalha a leitura da esquerda para direita, formação de palavras usando sílabas, interação com cores, sons e outros “dispositivos cognitivos”, que ajudam o usuário a trabalhar seu desenvolvimento de forma lúdica. De forma bem interativa, a criança pode customizar seu ratinho, além de ser desafiada a conseguir “cheesecoin”, uma espécie de moeda virtual.
Uma das principais apostas do game é o dispositivo chamado “Rato Amigo”, que tem como objetivo trabalhar, de forma inconsciente, a atitude de pedir ajuda ao próximo, e assim estimular essa ação no dia a dia.
Como tudo começou
Em 2013, a pesquisadora Ana Sarrizo pensava apenas em contribuir com os portadores de TEA de Belo Horizonte, sua cidade natal. O resultado do projeto foi tão bem sucedido que um professor de Ana a aconselhou inscrever no prêmio Santander, do qual foi vencedor entre 17mil propostas voltadas para a educação. Com a premiação de R$ 100 mil e uma bolsa no curso de empreendedorismo da Babson College, uma das mais importantes do mundo, decidiu criar a Brainy Mouse Foudation, nos Estados Unidos, ficando mais próxima das mais importantes pesquisas sobre autismo.
O objetivo da Fundação é ajudar instituições do mundo inteiro, familiares e educadores, que já trabalham com crianças e adultos com TEA, produzindo games e ferramentas que vão auxiliá-los no seu progresso dia a dia. Para saber mais, basta clicar aqui.


sábado, 31 de março de 2018

ALPHA BEAT CANCER – GAME BRASILEIRO PARA CRIANÇAS COM CÂNCER

Que os games são ferramentas importantes até mesmo para a medicina, você já sabia, certo? Pois bem, a bola da vez é o Alpha Beat Cancer,   desenvolvido pela Mukutu em parceria com o Instituto Beaba, que acaba de ser premiado com o World Summit Awards na categoria global de Saúde e Bem Estar. O game ajuda crianças com câncer a entender melhor a doença.
Para quem não conhece, o WSA é uma importante premiação global que tem o intuito de selecionar e promover os melhores e mais inovadores conteúdos digitais do mundo, valorizando a relevância em relação ao contexto em que foi criado, bem como a contribuição a inclusão e acessibilidade digitais.
A equipe da Mukutu e do Instituto Beaba viajaram para o congresso da premiação, que aconteceu na cidade de Viena, na Áustria, entre 20 e 22 de março de 2018.
De acordo com os.desenvolvedores, a ideia do Alpha Beat Cancer é desmistificar o câncer para pacientes infantis. No jogo, a criança pode se divertir atendendo pacientes, higienizando objetos ou contendo hemorragias – entre outras missões distribuídas em 20 mini-games. Assim o jogador aprende os termos do mundo oncológico e se sente mais confiante para aderir ao tratamento. O jogo é totalmente grátis para o usuário, sem nenhum tipo de publicidade.
A competição global é resultado de seleções nacionais, envolvendo mais de 150 países, que em concursos locais, selecionam as melhores práticas e os melhores projetos em oito categorias. O WSA teve início em 2003, em Genebra, no âmbito da Cúpula das Nações Unidas sobre a Sociedade da Informação (WSIS – World Summit on the Information Society) e vem sendo realizado a cada dois anos, coordenado pelo Centro Internacional de Novas Mídias (ICNM – International Center for New Media), de Salzburg, Áustria. Por conta da premiação, o Instituto Beaba também ganhará uma aceleração mentorada pelo WSA.
“Entre a ideia e o reconhecimento que o Alpha Beat Cancer vem recebendo foram três anos. Agora milhares de pacientes da pediatria oncológica já baixaram o game, aprenderam mais sobre o câncer e estão mais engajados no tratamento”, comemora Ludmila Rossi, CMO do grupo Mkt Virtual.
Você pode baixar Alpha Beat Cancer para iOS ou Android aqui.


quinta-feira, 29 de março de 2018

Minha defesa de doutorado

Foi um momento único, fruto de 04 anos de doutoramento
Foi estressante, foi cansativo, mas foi rico, frutífero e feliz.
Obrigada a todas e todos que estiveram comigo nessa caminhada






A Laeps marcando presença!!!!


Corticoide na Sepse: a volta dos que não foram


Suponhamos que estamos vendo um paciente na UTI, que internou com pneumonia comunitária, desenvolveu insuficiência respiratória aguda e choque. Após as 1as medidas terapêuticas obrigatórias (antibiótico precoce e correto, reposição volêmica, vasopressor para manter PAM > 65 mmHg, ECO para avaliar função cardíaca e inotrópico), o paciente mantém choque e perfusão periférico deficiente. Você espera por algumas horas (6, 8, 12 ou 24, a seu gosto) e o paciente ainda precisando de maiores doses de vasopressor. Você vai iniciar corticoide ? Vejamos numa imaginária linha do tempo:

- 1970 a 1987: talvez, com doses altas (tipo pulso);
- 1987 a 1998: não, doses elevadas de corticóide aumentam mortalidade;
- 1998 a 2008: sim ! parece que doses moderadas reduzem morte, principalmente se o paciente tem disfunção adrenal;
- 2008 a 2017: talvez, mas o estudo CORTICUS (2008) botou pá-de-cal no corticoide; Surviving Sepsis Campaign lavou as mãos e diz que a indicação é fraca.

Pois é. Tudo muda no mundo. Criticos se separaram em céticos e fiéis do corticoide. Alguns afirmaram que o CORTICUS (Sprung 2008) não selecionou corretamente os pacientes (tamanho amostral não foi cumprido), e mantinha terapia com hidrocortisona por um tempo muito além do necessário (11 dias), gerando complicações como hiperglicemia e superinfecções.

O estudo ADRENAL, idealizado e mantido pela ANZICS, foi publicado para tentar reduzir estas críticas e mostrar o real efeito da terapia. Eles já fizeram vários trabalhos definidores, como o SAFE que demonstrou que albumina não aumenta mortalidade, e é apenas semelhante a salina para reposição volêmica no paciente grave.

O ADRENAL foi randomizado, controlado e duplo-cego, com amostra de quase 3800 pacientes, em UTIs de 5 países (predominantemente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido). Os pacientes incluídos tinham necessariamente suspeita/confirmação de infecção, SIRS >= 2 pontos, ventilação mecânica e vasopressor por mais de 4 horas. Excluiu-se usuários de corticoide previamente ao estudo e também etomidato. Houve perda de menos de 5% dos pacientes por falta de consentimento ou follow-up. A população do estudo é típica de uma UTI geral, com idade média de 62 anos, 2/3 dos pacientes clínicos, com pneumonia como principal sítio de infecção. Os pacientes receberam hidrocortisona 200mg/dia em infusão contínua, em média 20 horas após início do choque e mantido por 7 dias ou até alta/óbito na UTI.

O uso de corticoide no choque séptico não alterou estatisticamente a mortalidade em 90 dias (27,9% vs 28,8%). Porém alguns desfechos secundários foram beneficiados com o uso de hidrocortisona:
- reversão do choque (1 dia a menos): já havia sido demonstrado em vários estudos;
- tempo de UTI (2 dias a menos);
- tempo de ventilação mecânica (1 dia a menos);
- menor uso de transfusão de hemácias (20% a menos).

Outro dado interessante é que eventos adversos como infecções fúngicas e bacteremias não foram diferentes entre os grupos (diferentemente do CORTICUS de 2008). O total de eventos adversos foi 1,1% no grupo corticoide vs 0,3% no grupo controle.

Outras diferenças para estudos antigos foram: não se usou fludrocortisona, não houve retirada gradual de corticoide e não se testou função adrenal (teste com ACTH).

O estudo concluiu que o uso de corticóide em choque séptico não altera a mortalidade em 90 dias. Mas minha impressão é que pode ser pouco parar nesta afirmação: há benefícios em reversão do choque e redução de tempo de ventilação e permanência significativos. Este estudo é provavelmente definitivo neste assunto e indica o lugar certo e justo do corticoide na sepse: no choque, nas primeiras 24 horas, por no máximo 7 dias. Mas não era assim que nós vínhamos usando nestes últimos anos ? Parece até filme de zumbis: voltando de onde nunca saíram.

Fonte: https://artigoscomentados.blogspot.com.br/

Mais eventos científicos 2018!!!!











sexta-feira, 16 de março de 2018

A experiência de um internamento pelo olhar de um poeta

Temporada de pedras

Pinga
Vejo gotejar
Percebo escancarar as entranhas
Quando desce pelo equipo
Tramadol
Morfina
Umas doses de calma
Num corpo que grita
Enfermeiras
Luzes acesas
Afere a pressão, mede temperatura
E meu corpo é só uma massa
Estar no hospital é tão mortal quanto nascer
Pinga antibiótico
Aumenta o antinflamatório
A prisão de ventre
Dá voz a minha dor inconsciente
Qual o aprazamento?
- Pergunto para a pitonisa
O médico não mudou
E os novos bisturis invadem meus ouvidos
Nego a gravidade
Barganho com os Orixás
Aceito a dor nas costas
Converso com meus cálculos renais
Estar no hospital é tão entediante quanto morrer
Pinga
Pinga, enfermeira
Um pingo de humanidade
Neste corpo já tão sem vontades
Goteja lágrimas
Espera o maqueiro
O roupão não cabe
Esse quarto pequeno não cabe qualquer vaidade
Desce pra tomo
Ultrassom e raio x
E o frio só não congela
A tortura de sofrer por qualquer dor
Estar no hospital é tão esquizofrenizante quanto todo dissabor.


Décio Plácido Neto, 13.03.2018

Se quiser ler mais: http://poesiaemalivio.blogspot.com.br/