domingo, 12 de agosto de 2018
Novidades no manejo da sepse: atualização 2018
Nossa, fiquei sumida por 04 meses...desculpem, mas após defender o doutorado minha vida ficou ainda mais corrida.
Mas estamos hoje retornando com as atividades normais do blog, postando eventos, compartilhando conhecimento, discutindo saúde. Hoje vamos falar sobre atualização sobre a sepse.
Frente ao achado de novas evidências e da evolução rápida do conhecimento na área, novas atualizações acontecem visando o melhor manejo dos pacientes.
Diante disto, recentemente foi proposta uma atualização. A mudança mais importante é que os “pacotes de 03 e 06 horas” foram combinados em um único “pacote de 01 hora” com o objetivo principal de iniciar a ressuscitação de forma imediata.
O racional está no fato de que sepse é uma emergência médica e, assim como no infarto agudo do miocárdio e acidente vascular isquêmico, a identificação precoce, o manejo imediato e de forma correta nas primeiras horas de sua identificação levariam a melhores desfechos clínicos.
O “tempo zero” é definido como:
- Hora da suspeita de sepse na triagem na sala de emergência ou
- Hora do primeiro registro gráfico de prontuário de disfunção orgânica no caso de pacientes encaminhados de outros locais de atendimento.
Pacote de 01 hora:
1. Coletar o lactato. Nova coleta se o inicial for ≥ 2 mmol/l.
O lactato é um dos marcadores de hipoperfusão tecidual e caso o exame inicial estiver elevado (> 2 mmol /L), um novo deverá ser coletado no intervalo de duas a quatro horas, tendo como meta a sua normalização.
2. Coletar culturas antes do início do antibiótico.
A sensibilidade das culturas pode ser reduzida após poucos minutos da primeira dose do antimicrobiano, desta forma, idealmente, elas devem ser coletadas antes do início destes. Apesar desta evidência, sabe-se que administração de antibioticoterapia adequada não deve ser retardada para a obtenção das hemoculturas! Deve-se coletar pelo menos dois pares de hemoculturas (aeróbico e anaeróbico).
3. Administrar antibióticos de largo espectro.
Terapia empírica de amplo espectro com um ou mais antimicrobianos intravenosos objetivando cobrir todos os patógenos prováveis deve ser iniciada imediatamente. Os antibióticos devem ser descalonados conforme o resultado de culturas e suspensos caso a possibilidade de infecção seja descartada.
4. Iniciar rapidamente a administração de 30 ml/kg de cristaloides se hipoperfusão ou lactato ≥4 mmol/l.
A ressuscitação com pelo menos 30ml/kg de cristaloides intravenosos deve ser iniciada de forma precoce e é crucial para o manejo da hipoperfusão tecidual induzida pela sepse e do choque séptico. A expansão volêmica deve começar imediatamente após o reconhecimento da sepse e/ou hipotensão e hiperlactatemia, e concluída em até três horas do reconhecimento. A falta de evidências que comprovem a superioridade dos coloides em comparação aos cristaloides e o custo mais elevado da albumina fazem com que os cristaloides sejam os fluidos de escolha no manejo inicial. Expansões volêmicas adicionais deverão ser realizadas de forma criteriosa e apenas em pacientes fluido responsivos.
5. Iniciar vasopressores caso o paciente se mantenha hipotenso durante ou após a expansão volêmica. Meta de pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg.
Restaurar a pressão de perfusão de órgãos vitais de forma adequada é parte fundamental da ressuscitação e não deve ser adiada. Caso a pressão arterial não for restaurada após a ressuscitação volêmica inicial, os vasopressores deverão ser iniciados ainda na primeira hora com meta de PAM ≥ 65 mmHg.
Possivelmente haverá necessidade de mais de uma hora para que a reanimação dos pacientes com sepse/choque séptico seja concluída, mas o início da reanimação e tratamento devem ser iniciados imediatamente e o paciente deverá ser reavaliado frequentemente nas horas subsequentes.
Fonte: http://www.pacientegrave.com/
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Mais um poema para refletirmos sobre o estar internado e a espera da cura
Viagem ao centro da cura
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Checa o monitor
O senhor tem alergia a quê?
Quem é o cirurgião?
Tain, tin, tin, tain
Checa o monitor
O senhor tem alergia a quê?
Quem é o cirurgião?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Confere o manguito
A sala já está pronta?
Quanto o senhor pesa?
A sala já está pronta?
Quanto o senhor pesa?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Já tem operacional pra levar?
O senhor vai fazer qual procedimento?
De quanto tempo o jejum?
Tain, tin, tin, tain
Já tem operacional pra levar?
O senhor vai fazer qual procedimento?
De quanto tempo o jejum?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Vamos fazer o check list
O anestesista já chegou?
Quanto de dor já suportou?
Tain, tin, tin, tain
Vamos fazer o check list
O anestesista já chegou?
Quanto de dor já suportou?
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Precisa de sangue, doutor?
O senhor tem alergia a quê?
Aqui só se pensar em viver
Tain, tin, tin, tain
Precisa de sangue, doutor?
O senhor tem alergia a quê?
Aqui só se pensar em viver
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Confere o prontuário
Qual é mesmo o procedimento?
Senhor, segurança pra todos no momento
Tain, tin, tin, tain
Confere o prontuário
Qual é mesmo o procedimento?
Senhor, segurança pra todos no momento
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Posiciona o paciente
Só vai tirar um soninho pra relaxar
Pegou o acesso, monitora a PA
Tain, tin, tin, tain
Posiciona o paciente
Só vai tirar um soninho pra relaxar
Pegou o acesso, monitora a PA
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Tá vendo? Já acabou
Volta pro CRPA
Espera teu corpo voltar.
Tain, tin, tin, tain
Tá vendo? Já acabou
Volta pro CRPA
Espera teu corpo voltar.
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Liga pra o andar
E só leva quando a enfermeira chegar
Prontuário, receita e atestado pra levar
Tain, tin, tin, tain
Liga pra o andar
E só leva quando a enfermeira chegar
Prontuário, receita e atestado pra levar
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Tira o eletrodos
O senhor já vai voltar
Não esqueça de beber água e urinar
Tain, tin, tin, tain
Tira o eletrodos
O senhor já vai voltar
Não esqueça de beber água e urinar
Tain, tin, tin, tain
Tain, tin, tin, tain
Pode levar, operacional
O senhor descanse e bom jantar
Em casa é lugar de melhorar.
Tain, tin, tin, tain
Pode levar, operacional
O senhor descanse e bom jantar
Em casa é lugar de melhorar.
Décio Plácido
terça-feira, 3 de abril de 2018
Simpósio Sul-Brasileiro de Enfermagem

A data limite para submissão à Comissão Científica do Simpósio Sul-Brasileiro de Enfermagem é dia 15 de agosto de 2018 (a data não será prorrogada).
Brasileira lança aplicativo para alfabetização de crianças com autismo
Familiares e educadores que lidam com autistas recebem uma boa notícia neste 2 de abril, data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Eles agora podem contar com um pequeno ajudante na estimulação da linguagem e alfabetização das crianças portadoras do transtorno do espectro autista (TEA), o Brainy Mouse (Rato Inteligente ou Rato Atrevido).
Trata-se de um aplicativo para celulares e tablets(disponível para android e iOS), em formato de jogo, que de forma lúdica auxilia os pequenos neste processo de aprendizagem.
A brasileira Ana Sarrizo, presidente da Brainy Mouse Foundation, criou o aplicativo após 4 anos de pesquisa. Os resultados em grupos testes com crianças de Belo Horizonte e São Paulo têm sido muito satisfatórios. No mês passado, foi lançada uma versão em inglês e, agora, disponibilizam a versão em português.
O objetivo do jogo é trabalhar o desenvolvimento da linguagem porque este é justamente um dos maiores desafios para a educação dos autistas, no mundo inteiro. O jeito como pensam, assimilam e compreendem o mundo a sua volta é peculiar de tal forma que muitas vezes nem mesmo os familiares ou os educadores estão preparados para lidar.
“Imagine as dificuldades que já enfrenta um adulto autista, em um mundo que não está preparado para lidar com suas diferenças. Agora imagine um adulto autista e que ainda por cima não sabe ler e escrever”, explica a criadora do aplicativo Ana Sarrizo.
Estima-se que 3 milhões de brasileiros são autistas. Este dado é um reflexo do estudo divulgado pelo Center of Control and Prevetion, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, que aponta a incidência de 1 a cada 68 crianças. Além dos desafios da doença, o maior entrave ainda é o preconceito. Vem dar uma olhada na interface do jogo e se encante:
Como funciona
O game trabalha a leitura da esquerda para direita, formação de palavras usando sílabas, interação com cores, sons e outros “dispositivos cognitivos”, que ajudam o usuário a trabalhar seu desenvolvimento de forma lúdica. De forma bem interativa, a criança pode customizar seu ratinho, além de ser desafiada a conseguir “cheesecoin”, uma espécie de moeda virtual.
Uma das principais apostas do game é o dispositivo chamado “Rato Amigo”, que tem como objetivo trabalhar, de forma inconsciente, a atitude de pedir ajuda ao próximo, e assim estimular essa ação no dia a dia.
Como tudo começou
Em 2013, a pesquisadora Ana Sarrizo pensava apenas em contribuir com os portadores de TEA de Belo Horizonte, sua cidade natal. O resultado do projeto foi tão bem sucedido que um professor de Ana a aconselhou inscrever no prêmio Santander, do qual foi vencedor entre 17mil propostas voltadas para a educação. Com a premiação de R$ 100 mil e uma bolsa no curso de empreendedorismo da Babson College, uma das mais importantes do mundo, decidiu criar a Brainy Mouse Foudation, nos Estados Unidos, ficando mais próxima das mais importantes pesquisas sobre autismo.
O objetivo da Fundação é ajudar instituições do mundo inteiro, familiares e educadores, que já trabalham com crianças e adultos com TEA, produzindo games e ferramentas que vão auxiliá-los no seu progresso dia a dia. Para saber mais, basta clicar aqui.
sábado, 31 de março de 2018
ALPHA BEAT CANCER – GAME BRASILEIRO PARA CRIANÇAS COM CÂNCER
Que os games são ferramentas importantes até mesmo para a medicina, você já sabia, certo? Pois bem, a bola da vez é o Alpha Beat Cancer, desenvolvido pela Mukutu em parceria com o Instituto Beaba, que acaba de ser premiado com o World Summit Awards na categoria global de Saúde e Bem Estar. O game ajuda crianças com câncer a entender melhor a doença.
Para quem não conhece, o WSA é uma importante premiação global que tem o intuito de selecionar e promover os melhores e mais inovadores conteúdos digitais do mundo, valorizando a relevância em relação ao contexto em que foi criado, bem como a contribuição a inclusão e acessibilidade digitais.
A equipe da Mukutu e do Instituto Beaba viajaram para o congresso da premiação, que aconteceu na cidade de Viena, na Áustria, entre 20 e 22 de março de 2018.
De acordo com os.desenvolvedores, a ideia do Alpha Beat Cancer é desmistificar o câncer para pacientes infantis. No jogo, a criança pode se divertir atendendo pacientes, higienizando objetos ou contendo hemorragias – entre outras missões distribuídas em 20 mini-games. Assim o jogador aprende os termos do mundo oncológico e se sente mais confiante para aderir ao tratamento. O jogo é totalmente grátis para o usuário, sem nenhum tipo de publicidade.
A competição global é resultado de seleções nacionais, envolvendo mais de 150 países, que em concursos locais, selecionam as melhores práticas e os melhores projetos em oito categorias. O WSA teve início em 2003, em Genebra, no âmbito da Cúpula das Nações Unidas sobre a Sociedade da Informação (WSIS – World Summit on the Information Society) e vem sendo realizado a cada dois anos, coordenado pelo Centro Internacional de Novas Mídias (ICNM – International Center for New Media), de Salzburg, Áustria. Por conta da premiação, o Instituto Beaba também ganhará uma aceleração mentorada pelo WSA.
“Entre a ideia e o reconhecimento que o Alpha Beat Cancer vem recebendo foram três anos. Agora milhares de pacientes da pediatria oncológica já baixaram o game, aprenderam mais sobre o câncer e estão mais engajados no tratamento”, comemora Ludmila Rossi, CMO do grupo Mkt Virtual.
Você pode baixar Alpha Beat Cancer para iOS ou Android aqui.
sexta-feira, 30 de março de 2018
Mais eventos científicos interessantes
Prazo para recebimento foi prorrogado para dia 05/04. Não deixe para última hora.
http://www.enfermeria.grupobinomio.com.ar/
quinta-feira, 29 de março de 2018
Minha defesa de doutorado
Foi um momento único, fruto de 04 anos de doutoramento
Foi estressante, foi cansativo, mas foi rico, frutífero e feliz.
Obrigada a todas e todos que estiveram comigo nessa caminhada
Foi estressante, foi cansativo, mas foi rico, frutífero e feliz.
Obrigada a todas e todos que estiveram comigo nessa caminhada
A Laeps marcando presença!!!!
Corticoide na Sepse: a volta dos que não foram
Suponhamos que estamos vendo um paciente na UTI, que internou com pneumonia comunitária, desenvolveu insuficiência respiratória aguda e choque. Após as 1as medidas terapêuticas obrigatórias (antibiótico precoce e correto, reposição volêmica, vasopressor para manter PAM > 65 mmHg, ECO para avaliar função cardíaca e inotrópico), o paciente mantém choque e perfusão periférico deficiente. Você espera por algumas horas (6, 8, 12 ou 24, a seu gosto) e o paciente ainda precisando de maiores doses de vasopressor. Você vai iniciar corticoide ? Vejamos numa imaginária linha do tempo:
- 1970 a 1987: talvez, com doses altas (tipo pulso);
- 1987 a 1998: não, doses elevadas de corticóide aumentam mortalidade;
- 1998 a 2008: sim ! parece que doses moderadas reduzem morte, principalmente se o paciente tem disfunção adrenal;
- 2008 a 2017: talvez, mas o estudo CORTICUS (2008) botou pá-de-cal no corticoide; Surviving Sepsis Campaign lavou as mãos e diz que a indicação é fraca.
Pois é. Tudo muda no mundo. Criticos se separaram em céticos e fiéis do corticoide. Alguns afirmaram que o CORTICUS (Sprung 2008) não selecionou corretamente os pacientes (tamanho amostral não foi cumprido), e mantinha terapia com hidrocortisona por um tempo muito além do necessário (11 dias), gerando complicações como hiperglicemia e superinfecções.
O estudo ADRENAL, idealizado e mantido pela ANZICS, foi publicado para tentar reduzir estas críticas e mostrar o real efeito da terapia. Eles já fizeram vários trabalhos definidores, como o SAFE que demonstrou que albumina não aumenta mortalidade, e é apenas semelhante a salina para reposição volêmica no paciente grave.
O ADRENAL foi randomizado, controlado e duplo-cego, com amostra de quase 3800 pacientes, em UTIs de 5 países (predominantemente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido). Os pacientes incluídos tinham necessariamente suspeita/confirmação de infecção, SIRS >= 2 pontos, ventilação mecânica e vasopressor por mais de 4 horas. Excluiu-se usuários de corticoide previamente ao estudo e também etomidato. Houve perda de menos de 5% dos pacientes por falta de consentimento ou follow-up. A população do estudo é típica de uma UTI geral, com idade média de 62 anos, 2/3 dos pacientes clínicos, com pneumonia como principal sítio de infecção. Os pacientes receberam hidrocortisona 200mg/dia em infusão contínua, em média 20 horas após início do choque e mantido por 7 dias ou até alta/óbito na UTI.
O uso de corticoide no choque séptico não alterou estatisticamente a mortalidade em 90 dias (27,9% vs 28,8%). Porém alguns desfechos secundários foram beneficiados com o uso de hidrocortisona:
- reversão do choque (1 dia a menos): já havia sido demonstrado em vários estudos;
- tempo de UTI (2 dias a menos);
- tempo de ventilação mecânica (1 dia a menos);
- menor uso de transfusão de hemácias (20% a menos).
Outro dado interessante é que eventos adversos como infecções fúngicas e bacteremias não foram diferentes entre os grupos (diferentemente do CORTICUS de 2008). O total de eventos adversos foi 1,1% no grupo corticoide vs 0,3% no grupo controle.
Outras diferenças para estudos antigos foram: não se usou fludrocortisona, não houve retirada gradual de corticoide e não se testou função adrenal (teste com ACTH).
O estudo concluiu que o uso de corticóide em choque séptico não altera a mortalidade em 90 dias. Mas minha impressão é que pode ser pouco parar nesta afirmação: há benefícios em reversão do choque e redução de tempo de ventilação e permanência significativos. Este estudo é provavelmente definitivo neste assunto e indica o lugar certo e justo do corticoide na sepse: no choque, nas primeiras 24 horas, por no máximo 7 dias. Mas não era assim que nós vínhamos usando nestes últimos anos ? Parece até filme de zumbis: voltando de onde nunca saíram.
Fonte: https://artigoscomentados.blogspot.com.br/
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